Reserva de emergência: o que é e como fazer a sua?

Reserva de emergência
Reserva de emergência
A reserva de emergência, embora seja essencial, costuma ser negligenciada por muitas pessoas. Afinal, acumular dinheiro para momentos críticos implica que o sujeito tenha atingido outras fases no jogo da educação financeira. E, embora esse assunto tenha se tornado mais popular internet adentro, há muito o que melhorar. O brasileiro tem sérias dificuldades em administrar o seu patrimônio — e isso não é de hoje. Temos um cenário crônico de endividamento no país: em 2022, por exemplo, oito a cada 10 famílias estão inadimplentes, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Bom, se não há dinheiro para quitar as dívidas, tampouco teria para criar uma reserva de emergência. Se você faz parte desse grupo, é importante começar pela primeira fase, que consiste em aprender a administrar o seu salário. 

O que é reserva de emergência?

Não podemos negar: “reserva de emergência” é um nome que, sozinho, já explica bastante. Mas, na prática, do que se trata? O que é reserva de emergência? Como ela funciona? E, mais importante, por que ela deve existir no seu orçamento? Estamos falando de um fundo em dinheiro voltado para imprevistos e, claro, emergências. Com isso em mente, ele deve estar imediatamente disponível e em uma aplicação confiável de baixo risco. Isso, contudo, não basta para distinguir uma reserva de emergência de um valor guardado qualquer. Precisamos pensar em quantidade.

Como calcular a reserva de emergência?

Afinal de contas, parte do conceito da reserva de emergência é que ela seja suficiente. Ela deve ser equivalente ao custo de vida da família por um número determinado de meses. E por custo de vida, saiba: estamos falando de despesas essenciais fixas. Gastos supérfluos ou despesas variáveis que não possam ser mensuradas ficam de fora. Mas, afinal, quantos meses devem ser considerados nesse cálculo? Os especialistas recomendam que a reserva de emergência seja composta por valores referentes ao período entre 6 a 18 meses. Sabemos, contudo, que é importante considerar diferentes realidades. Portanto, a nossa recomendação é que você considere o período mínimo de 4 a 6 meses para construir o seu fundo de segurança.
Reserva de emergência
Especialistas dizem que a reserva de emergência deve incluir o orçamento básico de, ao menos, 6 meses (Imagem: jcomp via Freepik)
Supondo que as suas despesas sejam de R$ 2,5 mil por mês, você deve acumular ao menos entre R$ 10 mil a R$ 15 mil. Esse dinheiro, mais uma vez, é destinado a emergências e não se confunde com os seus investimentos. Mas, não se preocupe, já falamos sobre ele em uma outra oportunidade. Se você fez a conta na sua casa e pensou que é muito dinheiro… É mesmo. Mas entenda que reservas são construídas de modo gradual. Depois de dar um pulo no nosso post sobre como administrar o seu salário, separe uma parcela para fazer o fundo. Assim, ele ficará um pouco maior a cada mês. 

Onde deixar a reserva de emergência?

Você já sabe o que é uma reserva de emergência, aprendeu a calcular o valor conforme a sua realidade, mas onde aplicar esse dinheiro? Falamos um pouco sobre isso no início desse post. Mencionamos que ele deve estar imediatamente disponível, lembra? No universo de investimentos, isso se traduz na liquidez. A liquidez, de forma simples, é a facilidade que o titular do dinheiro tem em movimentar determinada aplicação. Se você explorar as opções disponíveis no Tesouro Direto, por exemplo, verá que algumas possuem prazos. Não queremos isso. O que buscamos é um investimento que tenha liquidez diária, isto é, permita movimentações a qualquer momento sem que haja perda do valor. Além da liquidez, quais fatores devem ser considerados na hora de escolher onde investir o seu fundo?
  • Segurança: escolha opções de baixo risco, que tenham cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou mecanismos de segurança;
  • Baixa volatilidade: um bom investimento nesse cenário deve ter baixas oscilações no seu patrimônio — fuja da renda variável;
  • Baixo (ou nenhum) custo: fuja de opções que apresentam custos administrativos e fique atento àqueles que cobram Imposto de Renda.
Reserva de emergência
Considere esses quatro fatores para escolher onde colocar a sua reserva de emergência (Imagem: Gabriel Mendonça)
De modo prático, a sua reserva de emergência não deve estar concentrada em ações, criptomoedas, fundos imobiliários, fundos multimercados, investimentos no exterior e outros semelhantes. O foco, afinal de contas, não é a rentabilidade da aplicação, mas os fatores destacados acima.  Pense, portanto, em investimentos conservadores e com liquidez diária. Para te ajudar, selecionados alguns exemplos:
  1. Tesouro Selic;
  2. Fundos de Renda Fixa conservadores (que remuneram conforme o CDI);
  3. CDBs de liquidez diária;
  4. Contas digitais ou carteiras remuneradas (que fazem seu dinheiro render, ainda que esteja “parado”).

Quando usar esse fundo de segurança?

A essa altura, você tem mais familiaridade com a ideia de ter uma reserva de emergência. Mas em que momento utilizá-la? Durante esse texto, utilizamos termos como “imprevisto”, que são amplos demais. O que justifica, então, tirar dinheiro do fundo? Sabemos que esse dinheiro é uma espécie de seguro pessoal para te “cobrir” quando necessário. Como qualquer outro seguro (como de um carro), é preciso ter estratégia antes de acionar a seguradora. Seria impossível esgotar as possibilidades cabíveis, mas listamos cenários que justificam o uso da reserva:
  • Períodos de desemprego;
  • Gastos com saúde inesperados e/ou não cobertos pelo seu plano;
  • Manutenção ou reparos urgentes e/ou inadiáveis na casa ou no carro;
  • Atendimentos veterinários de urgência para o seu pet;
  • Viagens necessárias e que sejam de última hora;
  • Mudança de cidade, estado ou país;
  • Despesas com burocracias, documentos e/ou autorizações inesperados;
  • Oportunidades de compra do seu imóvel.
É importante destacar que esse dinheiro não deve ser utilizado para pagar as suas dívidas, tampouco para pagar a sua fatura em momentos de descontrole financeiro. Tenha muito cuidado para não “banalizar” a sua reserva de emergência. Esse é um dinheiro importante. Se utilizá-lo para qualquer fim, não terá ao que recorrer quando realmente precisar dele.  
Conselheiro de empresas, mentor, empreendedor e investidor serial apaixonado por scale-ups e venture capital. Palestrante em diversas iniciativas do ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo.