Como fazer um planejamento financeiro? Guia completo!

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Se o planejamento financeiro fosse um tópico simples, a nossa vida certamente seria mais fácil. A educação financeira tradicional acerta quando aborda a lógica matemática do processo, mas peca ao negligenciar fatores pessoais. Afinal, antes de falarmos de números, estamos falando de pessoas.

E as pessoas, sabemos bem, são cheias de crenças e costumes, atravessadas pelo ambiente familiar e social nos quais estão inseridas. Esses fatores geram hábitos. Os hábitos, por sua vez, criam um cenário financeiro de um indivíduo ou de uma família. Para mudá-los e adquirir outros mais saudáveis, é preciso antes conhecê-los.

A verdade é que se você organizou as contas, adquiriu um aplicativo como a Organizze, se comprometeu a gastar menos, você deu sim alguns passos. Isso não significa, contudo, que criou um planejamento financeiro, tampouco que o seu plano será eficaz.

Qual é o segredo para um planejamento financeiro?

O sujeito até pode entender as etapas práticas da organização financeira. Supondo que ele pesquise “como administrar o salário” e se depare com uma matéria publicada no blog da Organizze.

Ele tem o passo a passo nas mãos, mas se não tiver autoconhecimento, não conseguirá aplicá-lo. No final do dia, os dados financeiros que compõem o seu orçamento são uma consequência dos traços comportamentais que você possui.

Autoconhecimento, então, é a palavra-chave. Somente através dele é possível gerar uma mudança genuína nos hábitos financeiros. Mas não se engane: mudar a mentalidade é difícil e, mais que isso, contraria nosso impulso natural. A psicologia explica que o nosso cérebro prefere nos manter em uma situação familiar, ainda que ruim, do que aceitar um cenário novo. Os padrões, mesmo os mais nocivos, tendem a se perpetuar em nossas vidas.

Duas perguntas que vão resolver a sua vida

Mas, então, como se conhecer sob a perspectiva financeira? Bom, é preciso se fazer duas perguntas:

  • Por que você chegou na situação atual? Para responder, considere as crenças, costumes, o ambiente em que você vive, sua disponibilidade de tempo, os ensinamentos que aprendeu no contexto familiar e qualquer aspecto que funcione como “pilar” do pensamento. Algo que se construiu com o tempo, se resignou e serve para sustentar seus hábitos.
  • A segunda pergunta é: O que te impediria de colocar seus objetivos e um planejamento financeiro em prática? Agora estamos falando dos hábitos em sua forma mais crua. Quais obstáculos existem entre você e o uso mais saudável do seu dinheiro? Vamos exemplificar. 
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Criar um bom planejamento financeiro é um processo complexo e cheio de camadas (Imagem: Gabriel Carvalho)

Você cresceu vendo a sua mãe recorrendo a compras em momentos de estresse e, inconscientemente, entendeu que aquilo era uma válvula de escape disponível. Na vida adulta, acabou no mesmo padrão: para aliviar a tensão, tira o cartão da bolsa e gasta sem pensar duas vezes.

Um padrão desequilibrado de gastos que surgiu no ambiente familiar reverbera diretamente no seu comportamento financeiro e, portanto, no orçamento. A saída é buscar uma válvula de escape alternativa. Em vez de pensar em compras, seria interessante criar outros mecanismos para aliviar o estresse.

Como o cérebro não recepciona mudanças muito bem, é preciso lidar com esse desafio no modo manual. Anote os mecanismos escolhidos, entenda os indícios do estresse (para agir quando ele se apresentar) e revisite as anotações para adotar uma nova rota. Isso faz parte do esforço de substituir hábitos. 

Como mudar hábitos financeiros?

Para vencer seus impulsos e, por consequência, economizar dinheiro, você pode recorrer a algumas estratégias. O nosso cérebro não gosta da mudança e, portanto, ele automatiza tudo que pode para economizar energia. Mudar implica em “bagunçar” o sistema.

A regra, então, é optar pelo caminho mais fácil. Se você entende que comprar impulsivamente é o caminho mais curto para desestressar, crie dificuldades. Saia de casa com dinheiro físico ou reduza o limite do seu cartão, por exemplo. Quanto mais obstáculos existirem entre você e o hábito que quer superar, mais fácil o processo será.

Outro mecanismo interessante é o da comparação. Pense em um dos grandes objetivos ou sonhos que deseja alcançar. Quanto dinheiro você tem desperdiçado em gastos desimportantes em vez de aplicar no que realmente te fará feliz? Às vezes precisamos de um bom choque de realidade para mover as peças. Melhor ainda se esse choque de realidade tiver números concreto.

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Mudar hábitos financeiros exige dedicação e leva tempo (Imagem: Freepik)

Esse foi apenas um exemplo. E ninguém tem um problema só. Para transformar a sua vida financeira de forma definitiva, você terá que mapear todos os obstáculos,  entender de onde eles vieram e como contorná-los com alternativas eficazes.

Na verdade, todo o processo consiste em uma série de erros e acertos. É possível que uma alternativa não funcione e, para avançar, você terá que arrumar outra solução. Teste até acertar. 

Planejamento financeiro: o passo a passo definitivo

Uma vez que você tenha compreendido o lado comportamental do problema, está na hora de ir ao método. Veja como os números, embora importantes, não são urgentes. Somente um indivíduo que se conheceu e confrontou os pontos fracos da sua vida financeira criará um planejamento financeiro viável e sustentável. 

1. Analise suas finanças

O próximo passo, portanto, é analisar as suas finanças. Essa é a parte chata e trabalhosa dedicada a entender quanto se ganha e se gasta. Mais do que entender: é preciso registrar. E, claro, uma solução como a Organizze tornará essa missão muito mais fácil e intuitiva. Mais do que registrar: é preciso detalhar. Assim, você saberá quanto gastou e com o quê. 

Quando fizer o balanço de gastos, lembre-se de distinguir quais são necessários e fixos daqueles que são supérfluos e variáveis. Esse é um check-up geral do seu orçamento, semelhante àquele que fazemos no médico. Somente a partir dos números recolhidos é possível entender se há algum ponto de atenção ou problema que exige cuidado. 

2. Faça uma reserva de emergência

É bom destacar: nem só de receita e despesas vive um orçamento. Um bom planejador é cauteloso e possui uma reserva de emergência e investimentos (ainda que realizados de forma simples no Tesouro Direto, por exemplo).

3. Invista o seu dinheiro

Os investimentos podem servir a diferentes finalidades: desde à independência financeira, à criação de uma “previdência pessoal”, aos objetivos financeiros e por aí vai. Isso é válido em qualquer circunstância.

Muitas pessoas falam para si mesmas que quando ganharem mais, poderão finalmente pôr a sua vida financeira em ordem. A dura verdade é que, não importa quando se ganha, mas a forma que se trata o dinheiro. Se não há o mínimo de organização, você pode ganhar milhões e, ainda assim, acumular dívidas.

4. Desenhe seus projetos

Estamos de acordo? Então sigamos a linha de raciocínio: o indivíduo que conhece seu comportamento financeiro e o seu orçamento pode, então, traçar objetivos. Afinal, ele sabe em que terreno está pisando, certo?

Esse é o momento de desenhar os seus projetos a curto, médio e longo prazo. Mas não se limite: seja tão específico quanto possível. Se você quer comprar um carro, registre o valor e como deseja realizar o pagamento e eventuais custos extras (à vista, parcelado, financiado e por aí vai).

Tudo isso é importante. Todavia, o motor que transformará o plano em realidade é a sua mente. Peço, então, que você vá além: no nosso exemplo, escolha o modelo do carro. Saiba exatamente qual veículo será o seu.

Imediatamente você se imaginará nessa realidade e, quanto mais detalhes, mais forte o pensamento ficará. É ele que te fará fiel ao planejamento financeiro e aos sacrifícios que o acompanham. Afinal, você tomará aquela realidade para si e terá pressa em chegar nela.

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Antes de desenhar os seus projetos, é preciso analisar a sua vida financeira (Imagem: Freepik)

5. Precifique seus sonhos

Com objetivos em mente, é hora de pensar em números mais uma vez. Nesse momento do planejamento financeiro, você terá que pensar no valor total do seu projeto e traçar uma rota até a chegada.

Vamos continuar no nosso exemplo, ok? O carro que você deseja custa R$ 60 mil. Bom, quanto você está disposto a economizar mensalmente para atingir esse valor? Quantos meses você dedicará a esse projeto? Para chegar a uma quantia razoável, revisite o orçamento que você fez. Ele te dirá quanto dinheiro pode ser redirecionado à sua meta. 

6. Equilibre curto, médio e longo prazo

Não se esqueça de considerar objetivos a curto, médio e longo prazo. A vontade de comprar algo em um ano não pode desfalcar os seus maiores objetivos. Um carro novo não pode comprometer o seu sonho de ter uma casa própria. Portanto, equilibre seus ímpetos e, claro, o dinheiro para cada uma das metas traçadas. 

Depois de fazer tudo isso, é possível que você pense: “Finalmente! Acabou o meu trabalho”. Mas sinto lhe dizer: a trajetória da educação e do planejamento financeiro não termina nunca.

7. Não tire o olho dos seus impulsos

Um bom planejador não deixa de observar os seus impulsos, seus hábitos, tampouco o seu orçamento. Parte do ciclo de aprendizado é revisitar todo esse processo periodicamente. Em alguma dessas voltas, você verá que internalizou as etapas.

Lembra daquilo que falamos sobre o cérebro automatizar os processos? Pois bem! Isso acontecerá. Mas, pense: se você deu uma bela faxina na casa, mudou os móveis de lugar, se livrou do que era desnecessário, sabe que depois terá que fazer a manutenção da limpeza.

8. Revisite o seu planejamento financeiro

E, eventualmente, realizar uma bela faxina novamente. A vida financeira não é muito diferente disso. Ainda que seja trabalhoso, mantenha os seus olhos nos benefícios: assim como a felicidade de descansar no sofá com a casa limpa, você terá inúmeras recompensas ao realizar um planejamento financeiro bem feito.

Conselheiro de empresas, mentor, empreendedor e investidor serial apaixonado por scale-ups e venture capital. Palestrante em diversas iniciativas do ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo.