Dívidas a longo prazo: como organizar a sua vida financeira?

Longo prazo
Dívidas a longo prazo são um pesadelo no orçamento de muitas pessoas. Afinal, quanto mais o tempo passa, maiores são os juros compostos e eventuais multas por atraso. Não raras vezes, essas dívidas viram uma verdadeira bola de neve. Mas, felizmente, há como manter o controle financeiro apesar delas. Se o seu orçamento é apertado, provavelmente não há espaço para imprevistos. Se o seu carro quebrar, por exemplo, o pagamento da parcela pode sofrer atrasos. Com isso, lá se vão mais juros e multas. No Brasil, cerca de 52% das pessoas que pretendem comprar um imóvel nos próximos dois anos optarão por fazer um financiamento ao todo, são quase 33 milhões de potenciais financiadores. No mercado de veículos, as vendas financiadas de veículos já somam 2,6 milhões de unidades em 2022. Esses dados foram coletados pelo Datafolha em uma pesquisa encomendada pelo QuintoAndar.

Como viver bem com dívidas a longo prazo?

A questão então passa a ser: é possível viver bem tendo dívidas de longo prazo? Viver bem não significa esquecer que elas existem, mas contar com a organização para alcançar um estado de bem-estar financeiro e quitar os débitos o quanto antes. Sim, é possível, e tudo começa pelo dia a dia.  Dentre aqueles 33 milhões de brasileiros que pretendem adquirir um imóvel, por exemplo, apenas 45% está se planejando para isso. Não surpreende que a maioria opte pelo financiamento.  Com parcelas a perder de vista, é fácil acreditar que o valor sempre caberá no bolso. No entanto, é preciso seguir ao menos 2 perguntas para garantir que o seu financiamento ou empréstimo pessoal não engula de vez o seu orçamento. 

1. Qual deve ser o valor máximo da minha parcela de quitação?

Quem define isso é você e não o banco. Especialistas recomendam que apenas 10% do seu salário seja comprometido em parcelas do tipo. Se você fatura mil reais por mês, por exemplo, o teto seria 100 reais. Se parece pouco, saiba que o único modo saudável de aumentar esse teto é aumentando os ganhos. Nesse caso, recorra a formas de renda extra. Para financiar um imóvel cujas parcelas são de 300 reais, por exemplo, seria necessário impulsionar a sua renda para ao menos 3 mil reais. Tarefa difícil? Não mais do que lidar com dezenas de ligações de cobrança diárias caso fique inadimplente após um empréstimo imprudente, acredite. Esse teto garante que você não apenas tenha noção dos seus limites, como também crie um plano mais realista. Ainda que tomando crédito e se endividando no futuro, a sua organização te dará mais tranquilidade no manejo da dívida.
Dívidas a longo prazo
Pagar dívidas a longo prazo exige organização e muito controle financeiro (Imagem: Drazen Zigic via Freepik)

2. Qual é a melhor opção no mercado?

Ciente de quanto pode comprometer do seu salário, você pode buscar por alternativas. Segundo o Procon São Paulo, as taxas de juros para empréstimos pessoais ficam entre 4,05% e 8,43%. Como as dívidas de longo prazo costumam superar a casa das dezenas de reais, a diferença de mais de 4 pontos percentuais representa uma baita economia. E olha que foram analisados apenas seis bancos na pesquisa (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Banco Santander). Vale a pena procurar por mais! Na prática, adotar juros menores significa comprometer menos dinheiro. Isso permite comprar um imóvel melhor ou quitar o imóvel já escolhido em menos tempo.

Dívidas de longo prazo e curto prazo: como conciliar?

Se os brasileiros fossem especializados apenas em adquirir dívidas de longo prazo, a situação seria um pouco mais fácil. No entanto, quando se trata de dívidas de curto prazo, as estatísticas só pioram: durante a pandemia, 79% contrataram algum tipo de crédito (sobretudo o cartão). Além disso, 3 em cada 10 brasileiros tiveram que usar essa opção por seis ou mais vezes no período. Os dados são preocupantes porque nem tudo é, por si só, culpa da pandemia. Basta pensar nos seus amigos que sempre foram viciados em parcelar “blusinhas” em 10x no cartão de crédito ou na quantidade de parentes com o nome sujo após anos de malabarismo com as faturas e cheque especial. Como conciliar, então, duas dívidas de prazos diferentes? A primeira tarefa é reorganizar o orçamento sem esquecer que a regra do teto de parcelas vale para todas as dívidas. Não, não são 10% para o financiamento da casa, mais 10% para o carro, mais 10% para o cartão de crédito. Todas as suas parcelas devem caber nos mesmos 10%.  Voltando ao exemplo de quem recebe mil reais por mês, o valor total de todas as parcelas não deve comprometer mais que 100 reais mensais. Para conciliar dívidas de longo e curto prazo no orçamento apertado existem duas saídas básicas: renegociar as dívidas e aumentar os ganhos. No primeiro caso, a solução mais recomendada é concentrar dívidas de diferentes bancos em apenas uma única instituição, contando com o melhor custo-benefício (isto é, relação entre o valor da parcela e a taxa de juros).  Já no segundo caso, a saída é simples, mas não é fácil. Ou aumentamos o salário ou partimos para renda extra. E, claro, há também uma solução complementar: economizar dinheiro no seu dia a dia. No caso de quem ganha mil reais por mês, um incremento de 500 reais permitiria parcelas de até 150 reais. Além disso, você pode investir o resto do valor para não se endividar no futuro. Afinal de contas, para viver bem não basta planejar apenas o presente.  
Conselheiro de empresas, mentor, empreendedor e investidor serial apaixonado por scale-ups e venture capital. Palestrante em diversas iniciativas do ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo.