Caso Americanas: o que podemos aprender com a falência

Caso Americanas
Caso Americanas

Mais do que nacionalmente conhecida, a Americanas é respeitada por clientes e investidores — ou era, até a polêmica mais recente. Ao lado de grandes marketplaces, a companhia se consolidou sob os holofotes. Isso não impediu que uma dívida bilionária surgisse.

O prejuízo informado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia vinculada ao Ministério da Economia, é de R$ 43 bilhões. Em razão disso, a empresa atingiu o menor valor de mercado da história até o momento, R$ 641 milhões (contabilizado em 20/01). Foi a primeira vez que a ação (AMER3) chegou a valer menos de R$1.

Para esclarecer as suspeitas de fraude, foi aberta uma investigação contra a companhia, que entrou em recuperação judicial. Os efeitos da polêmica já se espalharam, contudo. Uma matéria da CNN pontua que o caso Americanas “lança nuvem de descrença sobre o mercado de capitais brasileiro”. Sem dúvidas, os investidores estão com o pé atrás.

O que aprendemos com o Caso Americanas?

A origem do rombo financeiro não tem relevância para nós. O que fica de lição é: não importa o quanto você esteja consolidado, o erro é sempre uma possibilidade. Em outras palavras, você pode ter conquistado um emprego estável, ter hábitos financeiros saudáveis e reunido algum patrimônio. Isso não impede que, por descuido, o cenário mude drasticamente. 

Em um cenário estável, é natural que a sensação de segurança prevaleça. Vamos a um exemplo. O orçamento de um fotógrafo gera mais incertezas do que o de um profissional concursado. Afinal de contas, sendo autônomo, ele não pode prever o rendimento de cada mês.

É possível que, justamente devido à incerteza, o fotógrafo seja mais organizado e vigilante do que o concursado. Nesse cenário, podemos pensar que o primeiro talvez esteja mais longe das dívidas e armadilhas financeiras do que o segundo, certo? No final das contas, importa mais o que você faz com o que você ganha do que quanto ou como ganha.

No jogo do planejamento financeiro, vence quem não pára de marcar pontos. Refazer as contas, atualizar o orçamento, rever objetivos, repensar estratégias e atentar-se aos impulsos de consumo é essencial. Se você deseja alcançar os melhores resultados, não dá para ser de outra maneira. 

A ilusão das prateleiras: nem tudo é o que parece

Caso Americanas
Com a atenção necessária, conseguimos tirar lições financeiras valiosas do Caso Americanas (Imagem: Kampus Production via Pexels)

Se você já pisou em uma unidade das Lojas Americanas, certamente reparou na variedade absurda de itens que são vendidos. As prateleiras cheias de produtos não denunciaram a dívida bilionária. Como convertemos isso para o contexto da vida financeira?

Há pouco, destacamos a importância de ter atenção ao planejamento. Superficialmente, pode ser que as suas finanças estejam em dia. Mas, assim como as inconsistências da Americanas ficaram “debaixo dos panos” por muito tempo, é possível que haja uma falha grave no seu orçamento. 

Para que uma falha grave não se torne fatal, ela deve ser descoberta a tempo. Ao rever as suas contas, por exemplo, você pode encontrar gastos exagerados. Às vezes, nos acostumamos com um determinado estilo de vida. Entendemos que ele cabe na nossa receita. Com o passar do tempo, novos gastos surgem, preços sobem e aquilo pode se tornar uma extravagância financeira.

Antes que você perceba, sua fatura no cartão de crédito duplicou de valor, o rotativo entra em ação, os juros começam a acumular e pronto: temos um rombo financeiro à la Americanas — em uma escala bem menor. Portanto, não caia da ilusão das prateleiras cheias! 

Revisitando seu planejamento financeiro: por onde começar?

Comece pelo nosso artigo “Como administrar o salário para viver bem o mês inteiro”. Nele, explicamos regras básicas para que você organize o seu dinheiro com segurança. Ah, também temos uma versão para quem recebe salário de estagiário! Se você tiver uma dívida de longo prazo, é importante que você saiba como encaixá-la no orçamento. Também falamos sobre isso.

Para que você não tropece no orçamento, é importante saber como evitar compras por impulso. Leu tudo? Está na hora de aprender sobre investimentos! Falamos sobre reserva de emergência e sobre como investir. O próximo passo é assinar a nossa Newsletter e continuar aprendendo sobre planejamento financeiro! 😀  

 

Conselheiro de empresas, mentor, empreendedor e investidor serial apaixonado por scale-ups e venture capital. Palestrante em diversas iniciativas do ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo.